A resposta de ontem Em qual igreja do Tejuco Chica da Silva foi sepultada? Na igreja de São Francisco de Assis, a da Ordem Terceira franciscana do Tejuco, uma irmandade das elites brancas. Segundo a historiadora Júnia Ferreira Furtado, no livro de 2003, ser enterrada ali era um privilégio de gente branca, e uma ex-escravizada só chegava àquele chão como irmã reconhecida. |
Tsuda Ume nasceu em Edo, a cidade que depois se chamou Tóquio, no último dia de 1864. O pai, Tsuda Sen, era intérprete do governo do xogum (o chefe militar que mandava no Japão antes de 1868) e tinha visitado os Estados Unidos em 1867.
Sen voltou dessa viagem convencido de que o país precisava aprender com o Ocidente. Plantava hortaliças americanas no quintal, fundou depois uma escola agrícola e acreditava que meninas também deviam estudar.
Em 1871, o governo da era Meiji (o período de modernização aberto em 1868) anunciou uma missão diplomática à América e à Europa, chefiada por Iwakura Tomomi. Mais de cem pessoas embarcariam, entre embaixadores e estudantes.
Kuroda Kiyotaka, responsável pela colonização da ilha de Hokkaido, tinha voltado da América impressionado com as mulheres educadas que viu lá. Propôs mandar meninas japonesas para estudar dez anos, com despesas pagas pelo governo.
Quase nenhuma família quis. Apareceram cinco candidatas, todas de famílias de samurais que tinham perdido prestígio com a queda do xogum. Tsuda Sen inscreveu a filha mais nova.
Ume tinha seis anos quando subiu, na antevéspera do Natal de 1871, no vapor America, rumo a São Francisco. Era a mais nova da missão inteira.
A imperatriz Haruko recebeu as cinco meninas antes da partida e lhes disse que, ao voltar, deviam servir de exemplo para as mulheres do Japão. Ume não entendeu quase nada da audiência.
A travessia do Pacífico levou mais de três semanas. Em Washington, o diplomata Mori Arinori, que chefiava a representação japonesa, distribuiu as meninas por famílias americanas.
Ume foi morar em Georgetown com Charles Lanman, secretário da legação, escritor e pintor, e com a mulher dele, Adeline. O casal não tinha filhos e tratou a menina como filha.
A casa dos Lanman tinha biblioteca grande, quadros nas paredes e visitas de escritores. A menina passava as tardes lendo romances ingleses e, nas férias, viajava com o casal pelas praias e montanhas da costa leste.
As duas meninas mais velhas adoeceram e voltaram ao Japão no primeiro ano. Ficaram três: Ume, Yamakawa Sutematsu e Nagai Shige.
Em poucos meses, Ume falava inglês melhor que japonês. Em 1873, aos oito anos, pediu para ser batizada e entrou para a igreja cristã, decisão que tomou sozinha e que o pai aceitou por carta.
Estudou na escola primária de Georgetown e depois no Archer Institute, um colégio para moças de Washington, onde aprendeu latim, francês, matemática, física e piano.
Os dez anos previstos viraram onze. Quando o governo chamou as estudantes de volta, em 1882, Ume tinha 17 anos e lia o japonês com a dificuldade de uma criança de primeira série.
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