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Rachel de Queiroz nasceu em Fortaleza em 17 de novembro de 1910. A mãe, Clotilde Franklin de Queiroz, era parente distante de José de Alencar, o autor de Iracema, e mantinha em casa uma biblioteca que a filha leu cedo.
O pai, Daniel, era juiz e fazendeiro. A família dividia o ano entre a capital e as terras de Quixadá, no sertão central do Ceará, onde ficava a fazenda do Junco.
Perto dali ficava o açude do Cedro, a represa que o governo imperial começou a erguer depois da grande seca de 1877. A menina cresceu ouvindo os adultos medirem o ano pela altura da água.
Em 1917, fugindo dos efeitos da seca, os Queiroz se mudaram para o Rio de Janeiro e, pouco tempo depois, para Belém do Pará. Voltaram ao Ceará em 1919.
Rachel estudou no Colégio Imaculada Conceição, em Fortaleza, e se formou professora em 1925, aos 15 anos. Foi a única formação escolar que teve.
Dois anos mais tarde, começou a escrever para o jornal O Ceará. Assinava como Rita de Queluz, um pseudônimo (nome inventado para esconder a autoria), e publicava crônicas e poemas.
O romance veio na fazenda. Em 1929, convalescendo de uma suspeita de tuberculose, ela escrevia à noite, à luz de lampião, em cadernos escolares.
O Quinze conta duas histórias: a da professora Conceição, que recusa o casamento para seguir sozinha, e a da família do vaqueiro Chico Bento, que atravessa o sertão a pé fugindo da fome.
O livro mostra o campo de concentração do Alagadiço, em Fortaleza, o cercado onde o governo juntou os retirantes de 1915 para impedir que entrassem na cidade.
Quando os exemplares chegaram ao Rio, o romancista alagoano Graciliano Ramos duvidou que a autora existisse. Anos depois, no livro Linhas Tortas, ele lembrou o que pensou naquela leitura: “Deve ser pseudônimo de sujeito barbado.”
No mesmo texto, Graciliano admite o engano e trata O Quinze como obra de escritora feita, com diálogo seco e frase curta, sem enfeite de salão.
Não era. A moça de Fortaleza viajou ao Rio, recebeu o prêmio da Fundação Graça Aranha e conheceu os escritores que liam o livro dela.
A estreia abriu outra fase. Em 1931, Rachel entrou no Partido Comunista Brasileiro, e em 1932 rompeu com ele, quando o partido quis censurar o segundo romance, João Miguel.
Em 1932 casou com o poeta José Auto da Cruz Oliveira. A filha do casal, Clotilde, viveu só 18 meses e faleceu em 1935.
Aos 25 anos, a autora de O Quinze já tinha um prêmio nacional, dois romances publicados e um luto que levou para os livros seguintes.
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