In partnership with

Biografia do Dia   Biografia do Dia
ED 084
{{saudacao | Bom te ver por aqui.}} {{saudacao_nome | }}
              
{{ofensiva_curta | comece hoje}}
Ver ofensiva →

A edição de hoje foi escolhida pela maioria dos leitores na votação de ontem.

{{subiu_orn | }} {{subiu_num | }} {{subiu_orn | }}

{{subiu_caps | }}

{{subiu_linha | }}

Qiu Jin e as joias penhoradas em 1904

Poeta e mãe de dois filhos, ela trocou o ouro do casamento por uma passagem a Tóquio e voltou para armar uma revolução em Shaoxing.

Retrato de Qiu Jin em Tóquio, de quimono, segurando uma faca curta diante do peito.

Qiu Jin em Tóquio, por volta de 1905

▼
 

Aos 28 anos, a poeta chinesa Qiu Jin juntou as joias do próprio casamento, levou tudo a uma casa de penhores de Pequim e saiu de lá com o dinheiro de uma passagem de navio para o Japão.

Era a primavera de 1904. Pulseiras, grampos de cabelo e brincos de ouro tinham chegado como parte do dote, oito anos antes, e pertenciam por costume à família do marido tanto quanto a ela.

O marido se chamava Wang Tingjun. Tinha comprado um cargo menor no governo imperial, em Pequim, e esperava da esposa a vida de qualquer senhora de funcionário: casa, visitas, chá e filhos bem criados.

Os filhos existiam. Um menino de sete anos e uma menina de três ficaram para trás, entregues aos cuidados da família Wang, quando a mãe atravessou a cidade rumo à estação de trem.

Na China da dinastia Qing, a última casa imperial do país, a mulher casada não viajava sozinha, não estudava fora e não largava a casa sem licença do marido. Qiu Jin fez as três num mesmo mês.

Ela tinha os pés atados desde a infância, como quase toda menina de família com posses. Começou a soltar as faixas antes de embarcar, e passou a andar com sapato de homem.

O navio saiu do porto de Tianjin, no norte, e cruzou o mar Amarelo até o Japão. No bolso, além do dinheiro das joias, levava cartas de apresentação de amigas de Pequim para estudantes chineses de Tóquio.

O Japão de 1904 atraía milhares de moços chineses. O país tinha se modernizado em poucas décadas e acabava de entrar em guerra com a Rússia. Mulher chinesa estudando por lá ainda se contava nos dedos.

A amiga Wu Zhiying, calígrafa de Pequim, ajudou a acertar a viagem. Anos depois, seria ela a escrever o epitáfio da poeta.

Três anos depois, ela estaria presa numa escola de Shaoxing, sua cidade de família, acusada de traição ao imperador.

A estrada até a cela começa num porto do sul da China, numa casa de letrados onde a menina aprendeu a ler antes de aprender a bordar.

Continue lendo ↓

 

Quem banca a edição de hoje

Master Claude AI (Free Guide)

The professionals pulling ahead aren't working more. They're using Claude.

Our free guide will show you how to:

  • Configure Claude to be the perfect assistant

  • Master AI-powered content creation

  • Transform complex data into actionable strategies

  • Harness Claude’s full potential

Transform your workflow with AI and stay ahead of the curve with this comprehensive guide to using Claude at work.

Patrocinadores mantêm a edição gratuita

 
 
 

I  A Vida de Hoje

A menina de Xiamen

Qiu Jin nasceu em 8 de novembro de 1875, em Xiamen, cidade portuária da província de Fujian, no sul da China. A família vinha de Shaoxing, na província de Zhejiang, e vivia de cargos no serviço público.

O avô e o pai eram funcionários do império. Na casa havia livros clássicos, e a menina recebeu professor particular junto com o irmão, privilégio raro para filha mulher naquele tempo.

Aprendeu cedo a escrever poesia nos moldes antigos, com número fixo de caracteres por verso. Também aprendeu a montar a cavalo e a manejar espada, por gosto, com primos e tios.

Os pés, porém, foram atados como os de qualquer moça de sua posição. O costume quebrava os ossos do peito do pé para deixá-lo minúsculo, e a menina mancava a vida toda.

Em 1896, aos 20 anos, casou-se por arranjo das famílias com Wang Tingjun, filho de comerciantes ricos de Xiangtan, na província de Hunan. O casamento rendeu dois filhos: Wang Yuande, em 1897, e Wang Guifen, em 1901.

O marido gostava de banquete, jogo e ópera. A esposa preferia os livros. Em cartas ao irmão, ela descreveu o casamento como um erro sem conserto.

Em 1903, Wang comprou um cargo no Ministério das Finanças e levou a família para Pequim. A cidade ainda trazia as marcas de 1900, quando tropas de oito países estrangeiros a ocuparam para esmagar a Revolta dos Boxers, levante camponês contra a presença estrangeira.

Na capital, Qiu Jin conheceu Wu Zhiying, calígrafa e escritora, que virou sua amiga mais próxima. As duas liam jornais reformistas, discutiam a fraqueza do império e falavam da educação das mulheres.

Em Pequim, Qiu Jin concluiu que a dinastia Qing não se reformaria por dentro e decidiu estudar fora para combatê-la.

Ela registrou o estado de espírito num poema daquele ano, escrito na forma Man Jiang Hong (Rio Inteiro Vermelho, nome de uma melodia clássica que dita a métrica). O verso mais citado fala do corpo de mulher e do coração que não cabia nele.

O marido reagiu mal aos planos. Conta-se que escondeu parte das joias para impedir a viagem. Qiu Jin recuperou o que pôde, penhorou o resto e partiu.

Ela nunca mais viveu com o marido. Os dois filhos cresceram com a família Wang, e ela os viu poucas vezes nos três anos seguintes.

 
 

II  O Momento que Virou

Uma espada em Tóquio

Em Tóquio, Qiu Jin estudou japonês e depois entrou na Escola Prática para Moças, fundada pela educadora Shimoda Utako, que recebia alunas chinesas. Ali aprendeu enfermagem, pedagogia e ciências básicas.

Passou a usar roupa ocidental de homem, com paletó e gravata, e se deixou fotografar assim. Numa foto famosa, aparece de quimono, segurando uma faca curta japonesa diante do peito.

Adotou o apelido de Jianhu Nüxia, a Cavaleira do Lago Espelho, em homenagem a um lago perto de Shaoxing. Treinava tiro e esgrima com estudantes homens e fabricava explosivo em laboratório improvisado.

Em 1905, entrou na Guangfuhui (Sociedade da Restauração), grupo revolucionário de Zhejiang. No mesmo ano, filiou-se à Tongmenghui (Liga Unida), a organização de Sun Yat-sen, o médico que pregava derrubar o império e fundar uma república.

Na Liga, recebeu o cargo de responsável pela província de Zhejiang. Era das poucas mulheres com posto de comando no movimento.

No fim de 1905, o governo japonês baixou regras duras sobre os estudantes chineses, a pedido de Pequim. Milhares protestaram e voltaram para casa. Qiu Jin embarcou de volta no começo de 1906.

De volta à China, Qiu Jin trocou a escola pelo trabalho clandestino e passou a recrutar soldados para um levante.

Em janeiro de 1907, em Xangai, lançou o Zhongguo Nübao, o Jornal das Mulheres Chinesas. Escrevia em linguagem simples, para quem mal sabia ler, e pedia o fim dos pés atados e do casamento arranjado.

O jornal saiu duas vezes. Faltou dinheiro para a terceira edição.

Em fevereiro de 1907, assumiu a direção da Escola Datong, em Shaoxing. No papel, era escola de educação física. Na prática, treinava rapazes em marcha, tiro e disciplina militar para o levante.

O plano era combinado com o primo Xu Xilin, que tinha conseguido o posto de chefe de polícia em Anqing, capital da província vizinha de Anhui. Os dois levantes deviam explodir em datas próximas.

Em 6 de julho de 1907, Xu Xilin atirou no governador de Anhui, En Ming, durante uma cerimônia na academia de polícia. O governador caiu ferido e não resistiu. O levante de Anqing, porém, ruiu em horas, e Xu foi executado no dia seguinte.

Interrogado, Xu deu nomes. Avisos chegaram a Qiu Jin. Amigos imploraram que ela fugisse de Shaoxing. Ela mandou os alunos embora, queimou papéis e ficou na escola.

 

Quem banca a edição de hoje

Become an email marketing GURU.

Is your email strategy due for a tune-up? GURU Conference (powered by Constant Contact) is back Nov 12–13, 100% free and virtual. You'll get email tactics you can steal the same day from top B2B and B2C marketers. Last year, 29,000+ marketers showed up. Save your free spot.

Patrocinadores mantêm a edição gratuita

 
 
 

III  O Que Ficou

Sete caracteres em Shaoxing

Em 13 de julho de 1907, tropas do governo cercaram a Escola Datong. Alguns alunos ainda reagiram a tiros. Qiu Jin foi presa com armas e documentos encontrados no prédio.

No interrogatório, o magistrado de Shaoxing exigiu confissão por escrito e os nomes dos companheiros. Ela não deu nenhum nome.

Quando lhe puseram papel e pincel na frente, escreveu um único verso, de sete caracteres, emprestado de um poeta mais antigo da dinastia Qing.

Qiu Jin escreveu na cela de Shaoxing, em julho de 1907: “Vento de outono, chuva de outono, a tristeza consome a gente.” Em chinês, a primeira palavra do verso é qiu, outono, que também é o sobrenome dela.

Na madrugada de 15 de julho de 1907, Qiu Jin foi decapitada em público na praça Xuanting Kou, em Shaoxing, aos 31 anos.

A execução de uma mulher instruída, sem confissão e sem julgamento aberto, escandalizou a imprensa de Xangai. Jornais publicaram os poemas dela e cobraram o governo da província.

As amigas Wu Zhiying e Xu Zihua compraram terreno à beira do Lago Oeste, em Hangzhou, e enterraram Qiu Jin ali em 1908, como ela tinha pedido em vida.

O governo Qing mandou remover o túmulo. O corpo voltou para Shaoxing e depois para Hunan, terra da família do marido, levado pelo filho Wang Yuande.

Em outubro de 1911, quatro anos depois da execução, a revolução derrubou a dinastia Qing. Em 1912, a China virou república, com Sun Yat-sen como presidente provisório.

A nova república levou os restos de Qiu Jin de volta ao Lago Oeste. Sun Yat-sen escreveu para ela a inscrição Jinguo Yingxiong (Heroína entre as Mulheres). O túmulo ainda mudaria de lugar outras vezes, e o atual, junto à ponte Xiling, foi refeito em 1981.

O escritor Lu Xun, também nascido em Shaoxing, publicou em 1919 o conto Remédio. Nele, um jovem revolucionário chamado Xia Yu é executado, e o sangue dele vira remédio de superstição vendido a uma família pobre. Os críticos chineses leem Xia Yu como referência a Qiu Jin.

A casa da família em Shaoxing virou museu. Ali estão o quarto onde ela dormia, as fotos de Tóquio e cópias dos dois números do jornal.

A filha, Wang Guifen, adotou depois o nome Wang Canzhi e virou uma das primeiras aviadoras da China e trabalhou na aviação civil do país.

O verso de 1903, aquele do poema na forma Man Jiang Hong, segue sendo o mais recitado nas escolas chinesas. Qiu Jin escreveu em Pequim, um ano antes do navio: “Meu corpo não pôde entrar na fila dos homens, mas meu coração arde mais forte que o deles.”

 
 
Quiz da edição

Quem atirou no governador de Anhui, En Ming, em 6 de julho de 1907, e depois deu nomes no interrogatório, levando as autoridades até Qiu Jin?

AWang Tingjun, marido de Qiu Jin
BXu Xilin, primo de Qiu Jin
CSun Yat-sen, líder da Tongmenghui
DWu Zhiying, amiga calígrafa

Resultado da última edição: 100% acertaram.

Veja o ranking de quem mais acerta →

 
Sua avaliação

Como foi a edição de hoje?

🖋️🖋️🖋️🖋️🖋️  ótima 🖋️🖋️🖋️🖋️  boa 🖋️🖋️🖋️  ok 🖋️🖋️  ruim 🖋️  péssima
 
Escolha a edição de amanhã

Qual edição você quer ver amanhã?

Voto aberto até 30/10, 15h30

A Frances Perkins →
B Lotte Reiniger →
C Mestre Bimba →
D Njinga Mbande →
 
Recomendação de Newsletter
A Origem das Palavras

A Origem das Palavras

Todo dia, 12:12. Uma palavra que você usa sem pensar revela séculos de história escondida, em dois minutos de leitura.

Quero receber →

 
Sua ofensiva
🔥 {{streak_atual | 0}} {{streak_titulo | Comece sua ofensiva hoje}} recorde {{streak_recorde | 0}}
Seus últimos 6 dias e hoje
{{ouro_linha | Cada edição vale 10 de ouro: voto, quiz e clique.}}

missão de hoje

📨 Mandar seu link pra 1 pessoa (1x por dia) +10
WhatsApp   Copiar link

Confirmou? +100 de ouro: entra no seu ouro à noite.

{{streak_cta | Começar minha ofensiva}}
{{rank_simbolo | Ⅰ}} {{rank_nome | Aprendiz}} · {{moedas | 0}} de ouro · loja e missões →
 
Clímax da temporada

Maratona dos 7 dias finais

◆◆◆◆◆3031

Dia 6 de 7 · a temporada de outubro fecha 31/10

{{maratona_dias | 0}}
dias feitos
{{maratona_faltam | 6}}
pra fechar

Presença por clique, voto ou quiz. Sem folga na maratona: o seguro do mês cobre 1 dia.

Acompanhar minha ofensiva →

 
 
 

Três minutos. Um nome novo pro dia.

Biografia do Dia

BIOGRAFIA DO DIA

Uma vida por dia, e o que ficou dela

💬 Receba pelo WhatsApp·✍️ Crie sua Newsletter