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Em 13 de julho de 1907, tropas do governo cercaram a Escola Datong. Alguns alunos ainda reagiram a tiros. Qiu Jin foi presa com armas e documentos encontrados no prédio.
No interrogatório, o magistrado de Shaoxing exigiu confissão por escrito e os nomes dos companheiros. Ela não deu nenhum nome.
Quando lhe puseram papel e pincel na frente, escreveu um único verso, de sete caracteres, emprestado de um poeta mais antigo da dinastia Qing.
Qiu Jin escreveu na cela de Shaoxing, em julho de 1907: “Vento de outono, chuva de outono, a tristeza consome a gente.” Em chinês, a primeira palavra do verso é qiu, outono, que também é o sobrenome dela.
Na madrugada de 15 de julho de 1907, Qiu Jin foi decapitada em público na praça Xuanting Kou, em Shaoxing, aos 31 anos.
A execução de uma mulher instruída, sem confissão e sem julgamento aberto, escandalizou a imprensa de Xangai. Jornais publicaram os poemas dela e cobraram o governo da província.
As amigas Wu Zhiying e Xu Zihua compraram terreno à beira do Lago Oeste, em Hangzhou, e enterraram Qiu Jin ali em 1908, como ela tinha pedido em vida.
O governo Qing mandou remover o túmulo. O corpo voltou para Shaoxing e depois para Hunan, terra da família do marido, levado pelo filho Wang Yuande.
Em outubro de 1911, quatro anos depois da execução, a revolução derrubou a dinastia Qing. Em 1912, a China virou república, com Sun Yat-sen como presidente provisório.
A nova república levou os restos de Qiu Jin de volta ao Lago Oeste. Sun Yat-sen escreveu para ela a inscrição Jinguo Yingxiong (Heroína entre as Mulheres). O túmulo ainda mudaria de lugar outras vezes, e o atual, junto à ponte Xiling, foi refeito em 1981.
O escritor Lu Xun, também nascido em Shaoxing, publicou em 1919 o conto Remédio. Nele, um jovem revolucionário chamado Xia Yu é executado, e o sangue dele vira remédio de superstição vendido a uma família pobre. Os críticos chineses leem Xia Yu como referência a Qiu Jin.
A casa da família em Shaoxing virou museu. Ali estão o quarto onde ela dormia, as fotos de Tóquio e cópias dos dois números do jornal.
A filha, Wang Guifen, adotou depois o nome Wang Canzhi e virou uma das primeiras aviadoras da China e trabalhou na aviação civil do país.
O verso de 1903, aquele do poema na forma Man Jiang Hong, segue sendo o mais recitado nas escolas chinesas. Qiu Jin escreveu em Pequim, um ano antes do navio: “Meu corpo não pôde entrar na fila dos homens, mas meu coração arde mais forte que o deles.”
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