A resposta de ontem Quem juntou o dinheiro para o avião de Lotfia El Nadi? Foi Huda Sha'arawi, fundadora da União Feminista Egípcia em 1923. Ela mandou um telegrama de parabéns à piloto e abriu uma subscrição entre as famílias ricas do Cairo para dar a Lotfia um avião próprio, prova de que o voo tinha virado causa do movimento das mulheres no Egito. |
Antônio Gonçalves da Silva nasceu em 5 de março de 1909, na Serra de Santana, um povoado de pequenos sítios no município de Assaré. Era filho de Pedro Gonçalves da Silva e Maria Pereira da Silva, lavradores que plantavam para comer.
Aos 4 anos, uma doença levou a visão do olho direito. Não havia médico na serra, e o menino cresceu enxergando o mundo por um lado só.
Aos 8, perdeu o pai. Com a mãe e os irmãos, passou a tocar a roça da família: milho, feijão, algodão, o que a chuva deixasse nascer naquele ano.
Escola, teve poucos meses, aos 12 anos. Deu para aprender a ler. O resto veio dos folhetos de cordel (livretos de versos vendidos nas feiras, pendurados num barbante), que alguém lia em voz alta nas noites da serra.
O menino decorava os folhetos inteiros. Logo começou a fazer os próprios versos, no mesmo compasso das histórias que ouvia.
Aos 16 anos, vendeu uma ovelha e comprou uma viola. Passou a cantar repente (verso improvisado na hora, em desafio entre dois cantadores) nas festas e nos terreiros da vizinhança.
Aos 20, viajou ao Pará com um parente, José Alexandre Montoril. Em Belém, cantou para plateias da cidade e chamou a atenção do escritor José Carvalho de Brito, que comparou a poesia dele ao canto da patativa, um pássaro pequeno e cinzento do sertão, famoso pela voz.
O apelido pegou. Como havia outros Patativas cantando pelo Nordeste, ele juntou o nome da cidade, e virou Patativa do Assaré.
Depois de Belém, o cantador voltou para a enxada: a viola ficou para a noite, e o verso, para a cabeça.
Em 1936, casou com Belarmina Paes Cidrão, a dona Belinha. O casal criou os filhos no mesmo sítio, da mesma roça que tinha sustentado a família de Antônio depois da morte do pai.
Patativa compunha de memória. Montava o poema verso por verso enquanto capinava, repetia em voz baixa até fixar e guardava tudo na cabeça. Décadas depois, recitava poemas de dezenas de estrofes sem trocar a ordem.
Escrevia em duas línguas. Numa, usava o português da escola, com rima e métrica corretas. Na outra, usava o falar do sertão, com “cantô” por cantor e “fulô” por flor, a fala de quem ele via na feira.
Foi nessa segunda língua que nasceu a toada que Luiz Gonzaga ia gravar.
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