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Ele consertava máquina de costura em Cleveland e tinha uma patente de capuz de segurança na gaveta. Veja o que a invenção fez numa madrugada de julho de 1916.
Garrett Augustus Morgan estudou até a sexta série e nunca mais sentou numa sala de aula. O resto ele aprendeu desmontando máquina alheia.
Nasceu em Claysville, no Kentucky, em 4 de março de 1877, filho de Sydney Morgan e Elizabeth Reed, os dois libertos da escravidão, um de onze filhos numa casa que vivia da lavoura.
Aos catorze anos pegou a estrada para Cincinnati, em Ohio, e arrumou trabalho de faz-tudo na casa de um proprietário rico. Com o salário contratou um tutor particular.
Em 1895, aos dezoito, chegou a Cleveland. Entrou numa fábrica de roupa como consertador de máquina de costura e aprendeu o ofício abrindo o equipamento peça por peça, até entender por que cada uma emperrava.
Em 1907 abriu a própria oficina de conserto. No ano seguinte casou com Mary Anne Hassek, costureira nascida na Baviera, e em 1909 montou uma alfaiataria que chegou a empregar 32 pessoas.
A primeira invenção veio de um defeito de oficina. A agulha girava rápido demais e chamuscava o tecido de lã, e ele passou meses testando líquido para reduzir o atrito da ponta.
O líquido fez outra coisa. Ao cair sobre o pelo do tecido, alisou a fibra, e o teste seguinte foi no pelo de um cão do vizinho. Dali saiu o creme alisante que ele vendeu por anos.
Quem passa o dia perto de tecido queimado conhece fumaça. Em 1912 ele depositou o pedido de patente de um capuz de segurança, e o registro saiu em 13 de outubro de 1914, sob o número 1.113.675.
O desenho era simples de explicar. Um capuz de lona cobria a cabeça inteira, e dois tubos compridos desciam pelas costas até a altura do chão, onde a fumaça de um incêndio ainda não tinha chegado.
A entrada de ar levava uma esponja úmida, que segurava a fuligem grossa e resfriava o ar antes de ele chegar à boca. O segundo tubo expulsava o ar usado, por uma válvula simples.
O invento ganhou prêmio. Na Segunda Exposição Internacional de Saneamento e Segurança, em Nova York, em 1914, o capuz levou a medalha de ouro do grande prêmio.
Ele montou a National Safety Device Company para vender o equipamento e saiu demonstrando o capuz em quartel de bombeiro e feira de segurança pelo país.
A venda não acompanhou. Corpo de bombeiros testava, elogiava e comprava uma unidade ou nenhuma, e o estoque continuava no galpão enquanto a empresa dependia de um pedido grande que não chegava.
A vida que ele tinha em julho de 1916 cabia numa frase: 39 anos, uma alfaiataria funcionando, uma patente premiada e um capuz que quase ninguém tinha visto operar fora de uma demonstração armada.
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