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Em 1641, a Companhia das Índias Ocidentais, empresa holandesa de comércio e guerra, tomou Luanda dos portugueses. Njinga mandou embaixadores à cidade e fechou aliança com os holandeses contra Portugal.
Em 1647, as tropas dela e as holandesas venceram os portugueses na batalha de Kombi. Por alguns meses, a rainha parecia perto de retomar todo o Ndongo.
Funji, a irmã presa em Luanda, mandava cartas secretas a Njinga com notícias da cidade. Os portugueses descobriram as cartas e afogaram Funji no rio Cuanza.
Em 1648, uma frota vinda do Rio de Janeiro, comandada por Salvador Correia de Sá, retomou Luanda e expulsou os holandeses de Angola. Njinga perdeu o aliado e voltou para Matamba.
Em 1656, com mais de 70 anos, Njinga assinou a paz com Portugal.
O tratado reconhecia Matamba como reino dela. Em troca, a rainha aceitou a presença de missionários e o comércio com Luanda. A irmã Kambu, batizada Bárbara, voltou para casa depois de anos de cativeiro.
Na velhice, Njinga reabriu igrejas em Matamba e recebeu os capuchinhos italianos, entre eles Cavazzi. Foi o frade quem recolheu dela as memórias da audiência de 1622.
Njinga Mbande saiu de cena em 17 de dezembro de 1663, em Matamba, com cerca de 81 anos, ainda no trono. Kambu a sucedeu como rainha.
Cavazzi publicou a crônica em 1687, em italiano, com o título Descrição histórica dos três reinos do Congo, Matamba e Angola. A cena do assento humano saiu dali para os livros europeus.
Em Angola, a lembrança ficou na tradição oral e depois na luta pela independência, conquistada em 1975. Os guerrilheiros citavam a rainha como a primeira a enfrentar Portugal de pé.
Historiadores como a americana Linda Heywood, autora da biografia Njinga de Angola, de 2017, trabalham com as cartas que a rainha ditou em português aos governadores e ao papa. São a voz dela, direta, sem passar pelo frade.
Em 2002, Luanda ergueu uma estátua de Njinga no largo do Kinaxixi, no centro da cidade. A rainha aparece de pé, com o machado de guerra na mão.
No Brasil, para onde seguiram muitos ambundos escravizados, a rainha Ginga entrou nas congadas, festas populares de origem africana em Minas Gerais e em outros estados, onde ainda hoje aparece coroada nos cortejos.
Na audiência de Luanda, o governador falou em tributo, e Njinga respondeu, segundo o relato de Cavazzi: “Quem nasceu livre não paga tributo a ninguém.”
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