A resposta de ontem Quem descobriu que as aquarelas eram de Tupaia? Foi o historiador Harold Carter, biógrafo de Joseph Banks. Ele achou uma carta de 1812 em que Banks conta ao botânico Dawson Turner que Tupaia aprendeu a desenhar a bordo e fez a caricatura do inglês trocando pano por lagosta com um maori. O desenho está na British Library. |
Ignacy Łukasiewicz nasceu em 8 de março de 1822, em Zaduszniki, aldeia perto de Mielec, no sul da Polônia de hoje. A família vinha da pequena nobreza empobrecida, com raízes armênias, e tinha cinco filhos para criar.
Estudou no colégio dos padres piaristas em Rzeszów, mas o dinheiro acabou antes do diploma. Aos 14 anos, para ajudar em casa, virou aprendiz de farmácia em Łańcut, cidade vizinha.
A botica do século 19 era meio laboratório. O aprendiz moía raízes, destilava águas de flores, preparava pomadas e aprendia a pesar grãos de pó numa balança de latão.
Em 1840, Łukasiewicz foi trabalhar numa farmácia de Rzeszów. Lá entrou num grupo clandestino de patriotas poloneses, ligado a uma rede maior, que preparava um levante contra o domínio austríaco.
A Polônia tinha sumido do mapa em 1795, repartida entre Rússia, Prússia e Áustria. Os conspiradores da Galícia escondiam panfletos e planos de revolta em casas de confiança.
Em 1846, o levante fracassou antes de começar direito, e a polícia austríaca prendeu Łukasiewicz. Ele passou perto de dois anos numa prisão de Lviv, interrogado, à espera de um processo.
Saiu da cela em 1848 sem condenação, mas fichado: só podia deixar Lviv com autorização da polícia.
Preso à cidade, voltou ao único ofício que sabia. Empregou-se na farmácia de Piotr Mikolasch, uma das mais respeitadas de Lviv, conhecida pelo laboratório bem equipado.
Mikolasch apostou no empregado e o ajudou a conseguir licença para estudar. Łukasiewicz cursou farmácia na Universidade Jaguelônica, em Cracóvia, e terminou na Universidade de Viena, onde recebeu o título de mestre em farmácia em 1852.
Em Viena aprendeu química de laboratório moderno, com termômetro e alambique de vidro. Aprendeu sobretudo a destilação fracionada (separar uma mistura de líquidos pela temperatura em que cada um ferve).
De volta a Lviv, encontrou na farmácia um pedido antigo. Comerciantes de Borysław, cidade ao sul, nas encostas dos Cárpatos, traziam barris de ropa (o petróleo cru, na fala dos camponeses da Galícia) e queriam saber se o líquido servia de remédio.
O óleo era conhecido havia séculos na região. Brotava em poças, sujava os riachos e cheirava forte. Os camponeses passavam nas rodas de carroça e nas feridas dos cavalos.
Mikolasch entregou o pedido a dois funcionários: Łukasiewicz e o colega Jan Zeh, também farmacêutico. A ideia inicial era tirar do óleo alguma substância medicinal para vender no balcão.
Os dois trabalhavam à noite, depois de fechar a loja. O laboratório dos fundos ficava cheirando a piche, e o patrão pagava os barris.
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