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Garrincha jogou no Botafogo até 1965. No livro Estrela Solitária (1995), Ruy Castro reproduz a contagem de 612 partidas e 245 gols com a camisa alvinegra, e três títulos cariocas: 1957, 1961 e 1962.
Na Copa da Suécia, em 1958, ele estreou no terceiro jogo, contra a União Soviética, em 15 de junho. O Brasil venceu por 2 a 0 e saiu de lá campeão do mundo pela primeira vez.
Nilton Santos estava no mesmo time. O lateral que tinha pedido a contratação do operário em 1953 levantou a taça ao lado dele em Estocolmo.
Na Copa do Chile, em 1962, Pelé se machucou no segundo jogo, e Garrincha conduziu a Seleção ao bicampeonato, com quatro gols marcados.
Ele foi expulso na semifinal contra o Chile, depois de revidar uma falta. O tribunal da Fifa o absolveu, e ele jogou a final contra a Tchecoslováquia, vencida pelo Brasil por 3 a 1.
Em 1963, o cineasta Joaquim Pedro de Andrade lançou o documentário Garrincha, Alegria do Povo. O apelido do filme grudou no jogador.
Os joelhos cobraram o preço das pernas tortas. Com artrose (o desgaste da cartilagem das articulações), ele foi vendido ao Corinthians em 1966 e passou por outros clubes sem recuperar o futebol do Botafogo.
Separou-se de Nair e viveu anos com a cantora Elza Soares. Lutou contra o alcoolismo que tinha visto no pai em Pau Grande, e perdeu.
Garrincha faleceu no Rio de Janeiro em 20 de janeiro de 1983, aos 49 anos. Foi enterrado em Magé, perto da vila onde nasceu.
Na lápide, os amigos mandaram escrever: “Aqui descansa em paz aquele que foi a Alegria do Povo, Mané Garrincha.”
O estádio nacional de Brasília leva o apelido dele, Mané Garrincha. Em Pau Grande, a fábrica fechou, e o campo do clube da vila continua de pé.
Nilton Santos viveu até 2013 e, em toda entrevista sobre o companheiro, voltava ao treino de 1953 e à caneta que levou de um aspirante que ele mesmo mandou contratar.
“Quem, na sua vida, abriu uma porta para você logo depois de perder uma disputa para você?”
Na Suécia, antes da estreia contra a União Soviética, o técnico Vicente Feola desenhou no quadro a jogada ensaiada para furar a defesa adversária. Na versão que a concentração brasileira espalhou e que acompanha o jogador desde 1958, Garrincha ouviu tudo e perguntou: “Já combinaram com os russos?”
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