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Jean-François Champollion nasceu em 23 de dezembro de 1790, em Figeac, cidade pequena do sudoeste da França. O pai, Jacques Champollion, vendia livros.
O irmão Jacques-Joseph, doze anos mais velho, assumiu a educação do caçula. Em 1801, levou o menino para Grenoble, cidade ao pé dos Alpes franceses, onde trabalhava.
Em Grenoble, Jean-François estudou latim e grego e, aos poucos, hebraico, árabe, siríaco e caldeu, línguas antigas do Oriente Médio. Aos 16 anos, leu na academia da cidade um trabalho sobre a geografia do Egito dos faraós.
Naqueles anos, o Egito virou assunto da Europa inteira. Em 1798, Napoleão Bonaparte invadiu o país com um exército e levou junto uma comissão de engenheiros, desenhistas e cientistas para medir e copiar tudo.
Em julho de 1799, soldados franceses que reforçavam um forte perto de Roseta, no delta do Nilo, acharam um bloco de granito escuro coberto de inscrições. O oficial Pierre-François Bouchard percebeu o valor da peça e avisou os superiores.
A pedra trazia o mesmo decreto, do ano 196 antes de Cristo, em três escritas: hieróglifos no alto, demótico (a escrita cursiva do dia a dia egípcio) no meio e grego antigo embaixo. O grego se lia. As duas escritas egípcias, ninguém lia fazia muitos séculos.
Os ingleses venceram os franceses no Egito e, pelo Tratado de Alexandria, de 1801, ficaram com a pedra. Desde 1802 ela está no Museu Britânico, em Londres. A França guardou cópias em gesso e em tinta.
Champollion decidiu cedo ler aquela pedra, e escolheu o copta como caminho.
O copta se escrevia com letras gregas e seguia vivo na missa das igrejas cristãs do Egito. Champollion apostou nele como o egípcio dos faraós em estágio tardio. Em Paris, a partir de 1807, estudou com padres coptas e chegou a anotar o próprio diário nessa língua.
Aos 19 anos, virou professor de história em Grenoble. A política atrapalhou: apoiou Napoleão na volta do exílio, em 1815, e perdeu o cargo quando o rei Luís XVIII retomou o trono.
Na mesma época, em Londres, o médico e físico inglês Thomas Young atacava a mesma pedra. Em 1819, num verbete da Enciclopédia Britânica, propôs valores de som para alguns sinais do nome do rei Ptolomeu.
Young acertou parte das letras, mas acreditava que o som só aparecia nos nomes estrangeiros, como os dos reis gregos. Para ele, o resto dos hieróglifos era ideia desenhada, sem leitura em voz alta.
Champollion começou com a mesma suspeita. Entre 1821 e 1822, comparou o cartucho de Ptolomeu com o de Cleópatra, gravado num obelisco levado da ilha de Filas para a Inglaterra. As letras comuns aos dois nomes, como o “p”, o “o” e o “l”, caíam no lugar certo.
Faltava provar o som também nos nomes egípcios, de reis anteriores aos gregos. A prova chegou em setembro de 1822, no pacote de Abu Simbel.
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