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Nicolas Appert nasceu em 17 de novembro de 1749, em Châlons-sur-Marne, cidade de Champagne. O pai, Claude Appert, tocava uma estalagem perto do centro, onde viajantes trocavam de cavalo e pediam comida quente.
Na cozinha da estalagem o menino aprendeu o serviço. Havia carne para salgar, fruta para guardar em calda e legumes para pôr no vinagre antes do inverno.
Champagne ensinou outra lição: a garrafa. A região vivia do vinho espumante, e as adegas guardavam vidro grosso, feito para aguentar pressão, fechado com rolha amarrada por barbante ou arame.
Por volta de 1772, Appert entrou para o serviço de Christian IV, duque de Zweibrücken (Deux-Ponts, em francês), principado alemão na fronteira com a França. Trabalhou como oficial de boca (o cozinheiro encarregado de doces, conservas e sobremesas da corte).
Depois serviu a viúva do duque, a condessa de Forbach, até perto de 1784. Nas cozinhas nobres, conservar era arte cara: fruta em calda grossa, carne coberta de banha, pepino em vinagre forte.
Todos esses truques tinham um preço. O açúcar, o sal e o vinagre seguravam o alimento, mas mudavam o gosto dele. A ervilha guardada já não lembrava a ervilha da horta.
Em 1784, Appert se mudou para Paris e abriu uma confeitaria na rua dos Lombardos, rua de comerciantes de especiarias, perto do mercado do Les Halles. Casou-se com Élisabeth Benoist e criou família sobre a loja.
O balcão vendia bombons, licores, xaropes e frutas cristalizadas. O confeiteiro dominava o açúcar como poucos na cidade, e por isso conhecia de perto o defeito dele.
Em 1789 veio a Revolução, e o doceiro virou também homem de assembleia de bairro.
Appert participou da seção dos Lombardos, uma das 48 assembleias em que Paris se dividia na época. Em 1794, durante o Terror (o período de prisões e execuções em massa do governo revolucionário), foi preso por alguns meses e solto depois da queda de Robespierre.
De volta à loja, começou os testes por volta de 1795. A pergunta era de cozinheiro, nada de laboratório: dava para guardar a ervilha com gosto de ervilha?
A ideia veio da própria cozinha. Ele notava que o alimento cozido e bem fechado demorava mais a azedar. Faltava descobrir quanto calor, quanto tempo e qual tampa.
Appert vendeu a confeitaria e apostou as economias nessa pergunta. Tinha perto de 50 anos e nenhuma formação em química.
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