A resposta de ontem Qual país venceu por equipes no Pershing em 1922? A Grã-Bretanha venceu a classificação por equipes, com a França em segundo. A estrela foi a britânica Mary Lines, que ganhou os 60 metros, os 300 metros, o salto em distância e o revezamento. A americana Camille Sabie levou as barreiras e o salto sem impulso, e a francesa Lucie Bréard venceu os 1.000 metros. |
Anita Catarina Malfatti nasceu em São Paulo, em 1889, num 2 de dezembro. O pai, Samuel Malfatti, era engenheiro italiano; a mãe, Eleonora Elizabeth Krug, era americana de família alemã e pintava por gosto.
A menina veio ao mundo com uma atrofia no braço e na mão direita. Aos 3 anos, os pais a levaram à Itália para uma cirurgia que não resolveu o problema.
Ela aprendeu a escrever, desenhar e pintar com a mão esquerda. A governanta inglesa da casa, Miss Browne, ajudou no treino diário, com lápis e caderno de caligrafia.
O pai faleceu em 1901, quando Anita tinha 11 anos. Eleonora passou a dar aulas de pintura e de línguas para sustentar os filhos, e a casa virou também um pequeno ateliê.
Anita estudou no Mackenzie College, escola protestante de São Paulo, e se formou professora. Dava aula de desenho, mas queria a pintura como ofício.
Em 1910, o tio e padrinho Jorge Krug, engenheiro, pagou a viagem dela para a Alemanha. Ela tinha 20 anos e desembarcou em Berlim sem falar bem o alemão.
Passou pela Academia Imperial de Belas Artes e depois estudou com Lovis Corinth, pintor alemão de pincelada solta e cor forte. Em 1912, viu em Colônia a grande mostra do Sonderbund (a “liga separada”, associação de artistas), com telas de Van Gogh, Cézanne, Munch e dos expressionistas, pintores que deformavam a forma para mostrar emoção.
Em Colônia, Anita viu de perto a pintura que usava a cor para dizer o que o contorno não dizia.
A Primeira Guerra começou em 1914, e ela voltou para São Paulo. Em maio daquele ano fez uma primeira exposição individual, pequena, que a imprensa local registrou sem escândalo.
No ano seguinte, a família a mandou para os Estados Unidos. Em Nova York, ela entrou na Independent School of Art (Escola Independente de Arte), dirigida pelo pintor Homer Boss.
Boss não dava nota nem cobrava cópia de gesso. Os alunos pintavam modelo vivo pelo tempo que quisessem e discutiam cor e composição em roda.
No verão, a turma foi para a ilha de Monhegan, no estado do Maine, na costa atlântica. Anita pintou ali o farol, as rochas e as ondas em azuis e amarelos que ninguém usava em São Paulo.
De volta a Nova York, fez os retratos que levaria para a Líbero Badaró: o operário de rosto cansado que virou O Homem Amarelo, a moça de olhos fundos de A Estudante Russa.
Em 1916, aos 26 anos, ela embarcou de volta para o Brasil com as telas enroladas na bagagem. Tinha seis anos de estudo fora e nenhum colega em São Paulo pintando daquele modo.
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