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O sultão Ahmad al-Mansur queria o ouro do Sudão Ocidental. Em 1590, mandou o general Judar Paxá atravessar o Saara com alguns milhares de soldados armados de arcabuzes (as espingardas de pavio da época).
Em março de 1591, na batalha de Tondibi, perto de Gao, os arcabuzes venceram a cavalaria songai. O império, que tinha a maior extensão da África Ocidental, desmoronou em poucos meses.
Timbuktu foi ocupada sem cerco. Os mercadores negociaram, mas os sábios resistiram com o que tinham: sermões, pareceres e a recusa de rezar em nome do sultão marroquino.
O cronista Abd al-Rahman al-Sa'di, nascido em Timbuktu em 1594, descreveu os anos seguintes no Tarikh al-Sudan (a Crônica do Sudão), escrito por volta de 1655. Ele lista os presos e as casas saqueadas nome por nome.
Segundo a crônica, o paxá Mahmud ibn Zarqun convocou os letrados à mesquita de Sankoré em outubro de 1593, sob o pretexto de um juramento de lealdade. Quando entraram, os soldados fecharam as portas.
Alguns morreram na confusão. Os outros foram acorrentados, e as casas deles, esvaziadas: ouro, roupa, móveis e livros.
Ahmad Baba saiu da mesquita como prisioneiro e nunca mais viu os 1.600 volumes que tinha juntado em casa.
A viagem até Marraquexe começou no início de 1594. Os presos atravessaram o Saara em fila, com as famílias, e Ahmad Baba fez boa parte do caminho com a perna quebrada pela queda do camelo.
Chegaram ao Marrocos em maio. O sultão mandou pôr os sábios na prisão, e Ahmad Baba ficou ali por dois anos, ainda acorrentado.
Na cadeia, outros presos e guardas começaram a pedir lições. Ele ensinava de memória, sem os livros, e recitava passagens inteiras dos juristas que tinha copiado em Timbuktu.
Em 1596, os sábios saíram da prisão para a prisão domiciliar. Ahmad Baba foi chamado ao palácio, e al-Mansur, como era costume, falou com ele de trás de uma cortina.
O jurista recusou a conversa assim. Disse ao sultão que, pela tradição, só Deus fala aos homens por trás de um véu, e que um homem que imita esse gesto se põe no lugar de Deus. Al-Mansur saiu de trás da cortina.
Então Ahmad Baba perguntou por que tinha sido preso, roubado e trazido acorrentado. O sultão respondeu que queria unir os muçulmanos sob um só governo. O jurista rebateu que Timbuktu já era muçulmana e que ninguém ali tinha pedido proteção.
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