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Em 1948, o grupo lançou o jornal Quilombo, dirigido por Abdias. Saíram dez números até 1950, com coluna de denúncia de racismo, notícia de teatro e uma seção sobre a história da África.
Abdias escreveu a própria peça, Sortilégio, sobre um advogado negro que foge da polícia e enfrenta, num terreiro, os deuses que tinha renegado. A censura segurou o texto durante anos.
Sortilégio só estreou em 1957, no mesmo Theatro Municipal, com o TEN no palco. A temporada fechou um ciclo que tinha começado com uma peça estrangeira.
Do grupo saíram atrizes e atores que o país passou a reconhecer. Ruth de Souza foi indicada ao prêmio de melhor atriz no Festival de Veneza de 1954, pelo filme Sinhá Moça, a primeira brasileira lembrada pelo júri.
Léa Garcia, outra atriz formada no TEN, protagonizou Orfeu Negro, filme rodado no Rio que venceu a Palma de Ouro em Cannes em 1959.
O grupo que tinha começado numa sala emprestada formou a primeira geração de atores negros protagonistas do teatro e do cinema brasileiros.
O TEN também organizou, em 1950, o Primeiro Congresso do Negro Brasileiro, no Rio, com pesquisadores e militantes discutindo emprego, educação e moradia.
A ditadura militar fechou o caminho. Em 1968, Abdias foi aos Estados Unidos com uma bolsa e não voltou por 13 anos. Lecionou na Universidade do Estado de Nova York, em Buffalo, e pintou telas inspiradas nos orixás.
Em Buffalo, Abdias desenvolveu a ideia que chamou de quilombismo, uma proposta de organização política inspirada nos quilombos, as comunidades formadas por escravizados fugidos no Brasil colonial. O livro O Quilombismo saiu em 1980.
O TEN se desfez nesse período. Sem Abdias, o grupo perdeu a direção e a sede, e as montagens pararam.
Abdias voltou ao Brasil em 1981. Em 1983, assumiu como deputado federal pelo Rio de Janeiro e apresentou projetos contra a discriminação racial no emprego e na escola. Entre 1997 e 1999, ocupou uma cadeira no Senado.
Em 2010, foi indicado ao Prêmio Nobel da Paz. Viveu até 23 de maio de 2011, aos 97 anos, no Rio de Janeiro.
O acervo do TEN, com fotos, programas e cartas, ficou guardado pelo Ipeafro, o instituto de pesquisa fundado por Abdias e mantido pela viúva, Elisa Larkin Nascimento.
“Que papel você nunca viu um ator negro interpretar no palco?”
Em 2004, na revista Estudos Avançados, da USP, Abdias do Nascimento definiu a missão do grupo que fundou aos 30 anos: “resgatar, no Brasil, os valores da cultura negro-africana”.
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