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No acervo: o Museu de Imagens do Inconsciente foi inaugurado em 20 de maio de 1952, dentro do próprio hospital, no Engenho de Dentro, e hoje guarda cerca de 350 mil obras, com mais de 127 mil já registradas no Iphan.
Na sala de exposição: em 12 de outubro de 1949, 179 trabalhos abriram a mostra "9 artistas de Engenho de Dentro" no Museu de Arte Moderna de São Paulo, com curadoria de Mário Pedrosa.
No arquivo: o acervo pessoal dela recebeu registro no programa Memória do Mundo, da Unesco, na mesma lista de documentos que o mundo decidiu não perder.
Em 1950 a produção do ateliê atravessou o Atlântico. A mostra "Arte psicopatológica" levou 91 pinturas e desenhos e 9 esculturas ao I Congresso Internacional de Psiquiatria, em Paris.
Em 1954 Nise escreveu para Carl Gustav Jung, na Suíça, com fotografias das mandalas que apareciam repetidas nas pinturas dos clientes. Ele respondeu, e a troca de cartas virou canal aberto.
Em abril de 1957 ela estava em Zurique, estudando no instituto fundado por ele. Em 2 de setembro daquele ano Jung abriu em pessoa a mostra com as pinturas do ateliê, que ocupou cinco salas do II Congresso Internacional de Psiquiatria.
Em 1956 ela fundou a Casa das Palmeiras, no Rio, primeira clínica do país a receber ex-internos em regime aberto, sem leito e sem trancar porta.
Almir Mavignier ficou cinco anos no ateliê e depois foi para a Europa, onde virou referência de arte concreta e de arte óptica e deu aula na escola de Ulm, na Alemanha.
O ateliê também puxou para dentro do hospital gente como Abraham Palatnik e Ivan Serpa, que estavam começando, e a conversa entrou na formação da arte concreta carioca.
Nise publicou "Imagens do Inconsciente" em 1981, "O Mundo das Imagens" em 1992 e "Gatos, a Emoção de Lidar" em 1998, sempre com as obras dos clientes reproduzidas ao lado do texto.
Partiu em 30 de outubro de 1999, no Rio de Janeiro, aos 94 anos, cinco anos depois de a lei da reforma psiquiátrica começar a tramitar no Congresso.
O hospital que a empurrou para o fundo do terreno hoje se chama Instituto Municipal Nise da Silveira, e o museu funciona no mesmo endereço, aberto à visita.
Em 2015 a história virou o filme "Nise, o Coração da Loucura", dirigido por Roberto Berliner, com Glória Pires no papel dela, que levou o prêmio principal do festival de Tóquio.
O eletrochoque continua em uso na psiquiatria, hoje sob anestesia e com protocolo. O setor que serviu de castigo virou um acervo de 350 mil imagens, e o hospital que mandou a médica para lá acabou adotando o nome dela.
"Que trabalho te empurraram como castigo, e você ainda não olhou de perto?"
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