In partnership with

Biografia do Dia   Biografia do Dia
ED 055
{{saudacao | Bom te ver por aqui.}} {{saudacao_nome | }}
              
{{ofensiva_curta | comece hoje}}
Ver ofensiva →
{{subiu_orn | }} {{subiu_num | }} {{subiu_orn | }}

{{subiu_caps | }}

{{subiu_linha | }}

A curandeira jamaicana que pagou a própria passagem até a Crimeia

Recusada pelo War Office em 1854, Mary Seacole abriu um hotel a 2 milhas do front e tratou soldados com o que aprendeu em Kingston.

Mulher jamaicana de vestido escuro oferece uma caneca a um soldado ferido num acampamento da Crimeia.

Crimeia, 1855: o hotel de Mary Seacole

▼
 

Aos 49 anos, a curandeira jamaicana Mary Seacole subiu as escadas do War Office (Ministério da Guerra britânico), em Londres, no outono de 1854, com um maço de cartas de recomendação debaixo do braço. Queria ir para a Crimeia cuidar de soldados.

Os jornais de Londres falavam todo dia da guerra que Grã-Bretanha, França e Império Otomano travavam contra a Rússia na península da Crimeia, às margens do mar Negro. O correspondente William Howard Russell, do The Times, descrevia feridos sem curativo e acampamentos tomados pela cólera.

Mary conhecia a cólera de perto. Tinha tratado a doença na Jamaica e no Panamá. Conhecia também vários dos regimentos que agora lutavam na Crimeia, porque os soldados tinham passado anos aquartelados em Kingston, a cidade dela.

No War Office, esperou numa antessala e saiu sem resposta. Tentou o departamento médico do Exército. Tentou o grupo de enfermeiras que Florence Nightingale já tinha levado para Scutari, na Turquia, e que recrutava uma segunda leva. Numa entrevista, uma das organizadoras disse que as vagas estavam preenchidas.

Ela contou depois que chorou sozinha, na rua, no frio de Londres. E deixou registrada no livro de memórias uma pergunta dura: se aquelas senhoras recusavam a ajuda dela porque o sangue dela corria sob uma pele um pouco mais escura.

Mary não ficou esperando resposta. Juntou o dinheiro que tinha, formou uma sociedade com Thomas Day, parente do falecido marido, e comprou mantimentos, remédios e bebidas. Pagou a própria passagem num navio a vapor.

Em 1855, a duas milhas das linhas britânicas diante de Sebastopol, abriu um hotel feito de tábuas e chapas de ferro. Ali, oficiais comiam, dormiam e eram tratados. Os soldados passaram a chamá-la de Mãe Seacole.

Os remédios que ela levou na bagagem vinham de uma cozinha em Kingston e de uma mãe que tratava oficiais com folhas e raízes. A história dela começa nessa cozinha, numa pensão perto do porto.

Continue lendo ↓

 
 

I  A Vida de Hoje

A pensão de Blundell Hall

Mary Jane Grant nasceu em Kingston, na Jamaica, em 1805. Era filha de James Grant, tenente escocês do Exército britânico, e de uma jamaicana negra e livre que os registros chamam apenas de Mrs. Grant. A ilha era colônia britânica, e a escravidão só terminaria ali em 1834. Mary nasceu livre.

A mãe era o que os jamaicanos chamavam de doctress (curandeira): uma mulher que tratava doenças com a medicina de ervas trazida da África ocidental, misturada ao que os médicos europeus ensinavam. Ela administrava Blundell Hall, pensão em Kingston que hospedava oficiais do Exército e da Marinha.

Mary cresceu entre a cozinha e os quartos da casa. Viu a mãe preparar chás de folhas, banhos para baixar febre e cataplasmas (emplastros quentes de ervas postos sobre a pele). Aos doze anos, já ajudava a cuidar dos hóspedes doentes.

Menina, treinava na boneca. Nas memórias, contou que receitava para ela os remédios que via a mãe dar aos pacientes e, quando a boneca sarava, passava para os cães e gatos da casa.

Na juventude, viajou a Londres com parentes. Depois fez viagens de comércio às Bahamas, ao Haiti e a Cuba, vendendo conservas caseiras e comprando conchas e tecidos. Em cada porto, perguntava aos médicos locais o que usavam contra febre.

Em 10 de novembro de 1836, casou com Edwin Horatio Hamilton Seacole, comerciante inglês de saúde frágil. O casal abriu uma venda em Black River, no sul da ilha. O negócio não vingou, e os dois voltaram para Blundell Hall. Edwin morreu em outubro de 1844, e a mãe de Mary pouco depois.

Aos 39 anos, viúva e órfã, Mary herdou a pensão, os hóspedes e o armário de remédios da mãe.

Um incêndio em Kingston, em 1843, já tinha destruído boa parte do prédio. Ela reconstruiu. Nas memórias, disse ter recusado vários pedidos de casamento para continuar dona da própria vida.

A cólera chegou à Jamaica em 1850. Mary tratou doentes em Kingston e anotou o que dava resultado. No ano seguinte, foi visitar o irmão Edward, que mantinha um hotel em Cruces, no Panamá, na rota dos garimpeiros que atravessavam o istmo a caminho do ouro da Califórnia.

A doença chegou a Cruces logo atrás dela. A vila não tinha médico. Mary tratou os doentes com mostarda, compressas quentes e calomelano (um remédio à base de mercúrio, comum na época). Quando um bebê morreu, fez escondida a autópsia do corpo para entender a doença. Ela mesma pegou cólera e sobreviveu.

Em 1853, de volta a Kingston, a febre amarela atingiu os quartéis. Os médicos do Exército pediram a Mary que organizasse as enfermeiras de Up-Park Camp, a principal base britânica da ilha. Ela conhecia aqueles homens pelo nome. Meses depois, vários deles embarcaram para a Crimeia.

 
 

II  O Momento que Virou

Quatro portas fechadas em Londres

Mary Seacole chegou a Londres no fim de 1854 para resolver negócios de ouro que tinha no Panamá. Lá soube das notícias do front e decidiu que o lugar dela era junto dos regimentos que tinha tratado em Kingston.

A primeira porta foi o War Office. A segunda, o gabinete do intendente-geral do Exército. A terceira, o departamento médico. Em todos, funcionários educados anotaram o nome dela e não deram retorno.

A quarta porta era a mais óbvia. Sidney Herbert, secretário da Guerra, tinha mandado Florence Nightingale a Scutari com 38 enfermeiras em outubro, e a mulher dele, Elizabeth Herbert, ajudava a escolher a segunda leva. Mary foi atendida por uma das auxiliares, que repetiu que não havia vaga.

Os papéis da época registram só a resposta oficial: grupo completo. O motivo verdadeiro nunca foi escrito por quem recusou, e os historiadores não sabem ao certo. Mary deixou por escrito a suspeita dela, e ninguém a contestou em vida: a cor da pele pesou.

Ela resolveu ir por conta própria. Com Thomas Day, montou a firma Seacole and Day e mandou imprimir cartões anunciando o British Hotel, "mesa farta e quartos confortáveis para oficiais doentes e convalescentes".

Em janeiro de 1855, embarcou no vapor Hollander. Em Malta, um médico que a conhecia da Jamaica deu a ela uma carta de apresentação para Nightingale. Em Scutari, as duas se encontraram. Nightingale perguntou o que ela queria e arranjou uma cama para ela passar a noite, na ala das lavadeiras.

Mary seguiu para Balaclava, o porto britânico da Crimeia. Durante semanas, dormiu num navio e vendeu mantimentos no cais. Nas mesmas semanas, escolheu um terreno em Spring Hill, entre o porto e o acampamento.

O hotel ficou pronto no verão de 1855. Tinha cozinha, depósito, loja e quartos. Moradores roubavam material à noite, e Mary contratou vigias. Vendia comida, bebida e roupa aos oficiais, e o lucro pagava os remédios que ela dava de graça aos soldados rasos.

O dinheiro do bar e da despensa bancava o consultório: era o jeito de uma mulher sem cargo manter uma enfermaria de pé.

De manhã, ela atendia no hotel. À tarde, carregava mulas com curativos, chá e vinho e subia até as trincheiras. Tratou feridos na batalha do rio Chernaya, em agosto de 1855, e esteve nas linhas durante o assalto final a Sebastopol, em setembro.

Russell, do The Times, escreveu que ela era uma "médica afetuosa e bem-sucedida", que tratava e curava os homens. Os soldados a chamavam de Mãe Seacole. Quando Sebastopol caiu, ela foi uma das primeiras mulheres britânicas a entrar na cidade.

 

Quem banca a edição de hoje

Free email without sacrificing your privacy

Gmail is free, but you pay with your data. Proton Mail is different.

We don’t scan your messages. We don’t sell your behavior. We don’t follow you across the internet.

Proton Mail gives you full-featured, private email without surveillance or creepy profiling. It’s email that respects your time, your attention, and your boundaries.

Email doesn’t have to cost your privacy.

Patrocinadores mantêm a edição gratuita

 
 
 

III  O Que Ficou

O túmulo em Kensal Green

A paz foi assinada em Paris em março de 1856. O Exército embarcou de volta para casa em poucas semanas, e o British Hotel ficou com as prateleiras cheias. Mary vendeu o estoque por uma fração do preço e voltou a Londres sem dinheiro.

Em novembro de 1856, a firma Seacole and Day foi declarada falida num tribunal de Londres. A notícia saiu nos jornais, e os oficiais que ela tinha tratado se mexeram. A revista Punch publicou versos em homenagem a ela.

Em julho de 1857, amigos organizaram um festival militar em benefício dela nos Royal Surrey Gardens, com bandas de regimentos. O público foi grande, mas os custos comeram quase tudo. Naquele ano, ela publicou as memórias, Wonderful Adventures of Mrs. Seacole in Many Lands (As Maravilhosas Aventuras da Sra. Seacole em Muitas Terras). O livro vendeu bem e pagou as dívidas.

Ela viveu entre Londres e a Jamaica pelo resto da vida. Em 1869, posou para o pintor Albert Charles Challen, de vestido escuro e com as medalhas no peito. O retrato sumiu por mais de um século.

Florence Nightingale nunca falou dela em público. Numa carta particular de 1870 ao cunhado, Harry Verney, escreveu que Mary tinha mantido "uma casa ruim" na Crimeia e que ali os homens se embebedavam, mas reconheceu que ela tratara muitos com bondade.

As duas mulheres cuidaram dos mesmos soldados; só uma delas virou nome de hospital e de juramento de enfermagem.

Mary Seacole morreu em Paddington, Londres, em 14 de maio de 1881, e foi enterrada no cemitério católico de St. Mary, em Kensal Green. Deixou uma herança de mais de 2 mil libras. Depois, o nome dela saiu dos livros.

Em 1973, enfermeiras jamaicanas e britânicas procuraram o túmulo, encontraram a lápide tomada pelo mato e pagaram a restauração. Em 2002, o retrato de Challen apareceu num leilão e foi comprado pela National Portrait Gallery, que o expõe em Londres.

Em 30 de junho de 2016, uma estátua de bronze de Mary Seacole, obra do escultor Martin Jennings, foi inaugurada no jardim do St. Thomas' Hospital, de frente para o Parlamento. Foi a primeira estátua no Reino Unido dedicada a uma mulher negra identificada pelo nome.

Os remédios dela não sobreviveram em receita escrita. As memórias contam o que ela usava, mas não as doses nem as misturas da mãe. O que se sabe está no livro de 1857, e ele não ensina o ofício.

"Que porta fechada você ainda está esperando alguém abrir?"

Mary Seacole escreveu em 1857: "Tenho alguns tons de marrom mais escuros na pele, que me mostram parente, e disso me orgulho, daqueles pobres mortais que vocês um dia mantiveram escravizados."

 
 
Sorteia o seu movimento de hoje. Oito movimentos, um por dia. O ebook ensina, o app cobra. Sortear meu movimento de hoje.

Sortear meu movimento de hoje →

 
Quiz da edição

Segundo o texto, a que distância das linhas britânicas diante de Sebastopol Mary Seacole abriu o British Hotel em 1855?

AMeia milha
BDuas milhas
CCinco milhas
DDez milhas

Veja o ranking de quem mais acerta →

 
Sua avaliação

Como foi a edição de hoje?

🖋️🖋️🖋️🖋️🖋️  ótima 🖋️🖋️🖋️🖋️  boa 🖋️🖋️🖋️  ok 🖋️🖋️  ruim 🖋️  péssima
 
Escolha uma das próximas edições

Qual edição você quer ver?

1 toque vota. A mais votada sai nos próximos dias.

Voto aberto até 02/10, 15h30

A Alice Guy-Blaché →
B Chica da Silva →
C Mestre Bimba →
D Oscar Niemeyer →
 
 

Quem banca a edição de hoje

How 2M+ Professionals Stay Ahead on AI

What’s the secret to staying ahead of the curve in the world of AI? Information. 

Luckily, you can join 2,000,000+ early adopters reading The Rundown AI — the free newsletter that makes you smarter on AI with just a 5-minute read per day.

Patrocinadores mantêm a edição gratuita

 
Recomendação de Newsletter
Mitologia do Dia

Mitologia do Dia

Todo dia, 12:12. Um mito grego virado do avesso: o padrão que ele descreve, e onde ele aparece em você.

Quero receber →

 
Indique e destrave

Indique essa newsletter para um amigo

Cada leitor confirmado pelo seu link sobe um degrau da escada de prêmios.

  
você1

{{indicacoes_confirmadas | 0}} confirmadas · faltam {{indicacoes_falta | 1}} pra próxima recompensa

● 1
Pack de wallpapers
Pack de wallpapers
■ 3
Edição de Colecionador do mês
Edição de Colecionador do mês
▲ 5
ebook A Carta ao Mecenas
ebook A Carta ao Mecenas

Pegar meu link de indicação →

 
Sua ofensiva
🔥 {{streak_atual | 0}} recorde
{{streak_recorde | 0}}

{{streak_titulo | Comece sua ofensiva hoje}}

{{ouro_linha | Cada edição vale 10 de ouro: voto, quiz e clique.}}

sua patente

{{rank_simbolo | ◆}} {{rank_nome | Aprendiz}}

 

faltam {{xp_falta | 5}} de ouro pra {{rank_prox | próxima patente}}

{{edicoes_lidas | 1}}
edições
{{cliques | 0}}
cliques
{{avaliacoes_feitas | 0}}
avaliações
{{moedas | 0}} de ouro na carteira 🏪 loja e missões no hub
{{streak_cta | Começar minha ofensiva}}
 
Amanhã nesta news

ED 056 · amanhã às 06:06

Os jangadeiros que fecharam o porto de Fortaleza ao tráfico

Em 27 de janeiro de 1881, Francisco José do Nascimento e os jangadeiros se recusaram a levar escravizados aos…

 
 
 

Três minutos. Um nome novo pro dia.

Biografia do Dia

BIOGRAFIA DO DIA

Uma vida por dia, e o que ficou dela

💬 WhatsApp·📣 Anuncie·✍️ Newsletter