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No sebo: em 1962 o pesquisador paraibano Horácio de Almeida encontrou um exemplar de Úrsula numa loja de livro usado no Rio de Janeiro e foi atrás da identidade de Uma Maranhense.
Na reedição: em 1975 saiu a edição fac-similar do romance, organizada por José Nascimento Morais Filho com prefácio de Almeida, e no mesmo ano Morais Filho publicou a pesquisa Maria Firmina dos Reis: fragmentos de uma vida, com documentos e trechos do diário dela.
No fundo do mar: desde 2021 um cabo submarino de fibra ótica batizado de Firmina liga a costa leste dos Estados Unidos a Las Toninas, na Argentina, com pontos de chegada em Praia Grande, no litoral de São Paulo, e em Punta del Este.
Entre Úrsula e o sebo do Rio ela continuou publicando. Gupeva, novela de tema indígena, saiu em capítulos na imprensa maranhense a partir de 1861.
Cantos à Beira-mar, livro de poemas, é de 1871. O conto A Escrava, publicado na Revista Maranhense em 1887, trata do assunto de Úrsula sem rodeio, um ano antes da Lei Áurea.
Em 1888 ela escreveu a letra do Hino à Libertação dos Escravos, cantado na província no ano da abolição.
Em 1880, aos 58 anos, fundou em Maçaricó, povoado de Guimarães, uma escola gratuita e mista, com meninos e meninas na mesma sala.
Era a primeira escola mista do Maranhão, e a reação da vizinhança foi imediata. A escola fechou pouco depois de abrir.
Em 1881 ela se aposentou da cadeira pública, depois de 34 anos de sala de aula na mesma vila.
Os últimos anos foram de pobreza e de cegueira. Partiu em 11 de novembro de 1917, em Guimarães, aos 95 anos, na casa de Mariazinha, uma mulher que tinha sido escravizada.
O reconhecimento veio em etapas. Em 2017 a pesquisadora Dilercy Aragão Adler fixou a data de nascimento em 11 de março de 1822 a partir de documentos do Arquivo Público do Maranhão, e em 2019 o Google publicou um doodle sobre ela.
Em novembro de 2022, ano do bicentenário, a Festa Literária Internacional de Paraty dedicou a ela a 20ª edição, a primeira vez em vinte anos que a homenagem principal do evento foi para uma autora negra.
No dia 11 daquele mesmo mês, a Universidade Federal do Maranhão concedeu a ela o título de doutora honoris causa em caráter póstumo.
Um levantamento da Universidade de Brasília mediu quem assina o romance brasileiro contemporâneo, analisando 258 romances publicados entre 1990 e 2004 pelas três maiores editoras do país.
Dos autores desses livros, 93,9% eram brancos e 72,7% eram homens. Cerca de 80% dos personagens que eles criaram também eram brancos.
Em 1859 a autora do primeiro romance abolicionista brasileiro trocou o próprio nome pelo nome da província na capa do livro. Cento e sessenta e três anos depois, a maior festa literária do país dedicou a homenagem central ao nome que ela tinha guardado.
"Que trabalho seu está circulando por aí sem o seu nome, porque você decidiu sozinho que o nome ia atrapalhar?"
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