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Ela cruzou o Atlântico aos 15 anos para entrar numa escola que exigia 18. Veja o que sustentava o curso dela em Nova York até 1876.
Maria Augusta Generoso Estrela se matriculou no New York Medical College and Hospital for Women em 17 de outubro de 1876, com 16 anos e dois a menos do que o estatuto exigia. Entrou depois de escrever uma dissertação sobre o que a levava à medicina, aceita pela congregação da escola.
Nasceu em 10 de abril de 1860, no Rio de Janeiro. O pai, Albino Augusto Generoso Estrela, era português e vivia do comércio de medicamentos na capital, como representante da casa americana Bristol.
A mãe se chamava Maria Luiza. A casa tinha dinheiro, e a filha foi mandada estudar em Portugal ainda menina.
Na volta de Portugal, aos 13 anos, o navio em que viajava se chocou com outra embarcação. Ela ajudou a cuidar dos feridos a bordo, e o episódio circulou na imprensa.
Em 1874, aos 14, leu numa revista americana a notícia de uma moça que tinha concluído o curso de medicina em Nova York. A informação de que aquele caminho existia chegou por uma página impressa.
A moça da notícia não era caso isolado. Faculdades de medicina para mulheres funcionavam nos Estados Unidos desde 1850, quando abriu a primeira delas, na Filadélfia.
No Rio não havia onde se inscrever. A família resolveu a questão da única forma disponível na época, comprando passagem.
Ela deixou o Brasil em 26 de março de 1875, com 15 anos. O primeiro ano nos Estados Unidos foi de escola preparatória, no condado de Oswego, no norte do estado de Nova York.
Em setembro de 1876 a transferência para o colégio médico feminino foi aceita, e no mês seguinte ela começou o primeiro ano.
A imprensa brasileira tratou o caso como assunto nacional. Em maio de 1879 a revista Echo das Damas publicou a biografia dela em seis edições seguidas.
Os jornais acompanhavam o desempenho dela no curso, as premiações e cada etapa vencida, e o nome virou referência na discussão sobre a entrada de mulheres nas faculdades brasileiras.
O curso era integral e caro. Mensalidade, hospital-escola, laboratório, livros e pensão, tudo em dólar, tudo dependendo das remessas que chegavam do Rio.
As remessas pararam em 1876. O negócio do pai, montado sobre a representação da Bristol, quebrou, e a renda da família foi junto.
Sem as remessas, a matrícula do ano seguinte ficava sem pagamento, e a pensão onde ela morava também.
Do Rio veio uma ordem, não uma pergunta. O pai mandava a filha encerrar o curso e voltar no primeiro navio.
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